Título: O Teorema de Katherine
Título original: An Abundande of Katherines
Autor: John Green
Género: Romance
Língua em que foi lido: Português
Ano de lançamento: 2006
Editora, edição, ISNB, capa: ASA, 1ª edição,
978-989-23-2633-7, capa mole
Páginas: 266
Resumo do livro (sem spoilers): Collin Singleton é um
rapaz prodígio – mas não génio - com uma perdição por
raparigas com o nome Katherine. Agora, nas férias de verão e após
o término da sua relação com a 19ª Katherine, ele e o seu melhor
amigo, Hassan, decidem fazer uma viagem de carro pelo país para se
esquecerem das coisas menos boas. Decidem parar em Gutshot, uma
pequena terra no Tennesse, após Collin ter decidido ver a sepultura
do Arquiduque Francisco Fernando. Aí conhecem a jovem Lindsey Lee
Wells, uma paramédica em formação
de 17 anos, e a sua mãe, Hollis, que trabalha numa fábrica de fios
de tampões e que oferece a Collin e a Hassan para ficaram uns tempos
em Gutshot com o intuito de trabalharem fazendo entrevistas a todos
os habitantes que já trabalharam na fábrica. No meio de tudo isto,
Collin decide inventar um teorema que preveja as suas futuras
relações e seja capaz de adivinhar quem vai deixar quem após
quanto tempo.
Avaliação: 2 de 5
Opinião (com spoilers): Dei uma avaliação 2 de 5
porque este livro foi, de longe, um dos mais aborrecidos que alguma
vez li. É um livro com pouca ação e que demora bastante tempo até
que as suas personagens comecem a desenvolver e a envolverem-se entre
si; demora bastante tempo até que comecemos a ver o interior de
outras personagens senão Collin.
Comecemos então por aí. Collin é um jovem prodígio
que sempre se sentiu sozinho por ser isso mesmo e sempre sentiu
pressão para ser bom e melhor. Mas Collin mostra-se como uma
personagem irritante, egocêntrica, egoísta, picuinhas e incapaz de
pensar nos outros. Apenas se vê a ele e aos seus sentimentos.
Torna-se monótono e cheguei ao fim do livro farta dele. É uma
personagem inteligente e intelectual, mas toda a sua intelectualidade
não lhe serve de nada quando o que ele faz de melhor é ser a vítima
de tudo o que lhe acontece. Vejamos o exemplo na página 224 quando,
após Hassan e Lindsey terem perdido os respetivos companheiros por
terem sido apanhados a traí-los: "(...) Mas Hassan parecia ter
ultrapassado Katrina num abrir e fechar de olhos, e Lindsey acabara
de entrar de rompante e a cantar no quarto de Collin, pelo que ele
sentia que podia reclamar para si o título de Pessoa Deixada Mais
Triste Da Casa, embora tivesse de admitir que já não queria K-19 de
volta. Queria que ela telefonasse; queria que ela sentisse a sua
falta; mas, por incrível que parecesse, sentia-se bem.". Aqui
mostra a egocentricidade e o egoísmo de Collin, sendo que os seus
amigos acabaram uma relação no dia anterior enquanto que Collin acabou a sua
há um mês atrás, e ainda assim Collin sente que tem de ser o mais
sofredor e coitado da casa.
Passemos para Hassan e Lindsey. Hassan é, a meu ver, a
personagem mais cómica do livros e, sem sombra de dúvida, dei umas
boas gargalhada graças à personagem. É o típico amigo gordo e
tonto, sempre disposto a largar tudo para dar um ombro amigo a quem
precisa e para fazer os outros rir. No entanto, Hassan releva-se
muito mais do que apenas isso. No final do livros começamos a
perceber o verdadeiro sofrimento de Hassan e qual a razão para a sua
falta de motivação perante a vida. É uma personagem que evolui com
o passar das páginas e que nos dá orgulho no final do livros.
Lindsey é uma personagem interessante. Inicialmente
aparece como uma personagem sem aspirações e sem grandes sonhos,
sempre com um sorriso na cara. Mas é uma personagem que muda de
personalidade consoante as pessoas que a rodeiam. Com Hollis é uma
coisa, com Collin e Hassan é outra e com os seus amigos e namorado é
outra. Porém, e à semelhança de Hassan, é uma personagem que no
final do livros se mostra uma rapariga com alguns dilemas e receios.
É alguém com quem nos podemos identificar. Embora o seu
desenvolvimento não seja tão marcante como o de Hassan, é uma
personagem por quem acabamos de gostar.
Em termos gerais do livro: demasiada matemática.
Embora seja uma matemática quase básica – pelo menos, à vista do
autor – é uma matemática que aborrece os leitores que não se
interessam pela matéria, tornando automaticamente o livro
aborrecido. Além disso, a história é um pouco redundante e, como
disse anteriormente, existe pouco desenvolvimento a nível das
personagens e pouca ação durante 3/4 do livro. Apenas nos capítulos
finais é que a história se torna interessante e que as personagens
começam a mostrar o seu verdadeiro "eu".
Creio que a história tinha potencial para ser mais
interessante e ser verdadeiramente um êxito, mas sinto que este
livro foi escrito com alguma falta de imaginação, sendo que o autor
teria a ideia principal do teorema mas sem saber o que fazer bem à
sua volta, portanto criou palha no meio para encher páginas.
Pessoalmente, não li 7 páginas do livro pois não achei que
acrescentassem nada de novo à história; foram as páginas com a
descrição de todas as Katherines com quem Collin namorou. Achei
desnecessário, aborrecido, nada de novo para a história que já
tinha sido contada, portanto, passei à frente.
Quanto à escrita em si, John Green demonstra, mais uma
vez, a sua cultura geral e todo o seu saber. A narração é simples
e adequada a qualquer idade. Existem os momentos hilariantes em que é
impossível não rir, típicos da escrita deste autor, e existem os
momentos em que acabamos por ficar um pouco mais instruídos.
No geral, é um livro que deixa muito a desejar, que
peca pela sua falta de ação e desenvolvimento. Não recomendo a
quem queira ler o seu primeiro livro escrito por Green pois, a
meu ver, ele já escreveu melhor noutros livros. Acho que quem fizer
deste o seu primeiro livros pelo autor, irá ficar desapontado. Não
é dos piores livros que existem, mas também não é dos melhores.

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