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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

A Rapariga Que Roubava Livros, de Markus Zusak



Título: A Rapariga Que Roubava Livros
Autor: Markus Zusak
Género: Romance

Língua em que foi lido: Português
Ano de lançamento: 2005
Editora, edição, ISBN, capa: EDITORIAL PRESENÇA, 15ª, 978-972-23-3907-0, capa mole
Páginas: 463

Resumo do livro (sem spoilers): A história passa-se em Molching, uma localidade perto de Munique, Alemanha, na época de 1939, durante a Segunda Guerra Mundial. Retrata a história da pequena Liesel, uma menina que desde muito cedo passa pelas mais difíceis advertências.
Este livro é narrado pela Morte que observa Liesel desde o primeiro contacto que a menina teve com a partida dos seus entes queridos. A menina é adotada por uma nova família e aí o seu pai adotivo, Hans, ensina-a a ler e a escrever, ao que ela desenvolve uma enorme paixão por livros. A sua mãe adotiva, Rosa, é resmungona e desde cedo faz Liesel trabalhar para ajudar em casa. No meio de tudo isto, Liesel conhece o meu melhor amigo, Rudy, com quem passa a vida a implicar.
Enquanto decorria uma caça aos judeus naquela altura, um antigo amigo de guerra de Hans, que acontece ser judeu, procura refugio na casa da família. É a partir daí que Liesel e Max se tornam grandes amigos, partilhando o gosto pela leitura. E no meio de tudo isto, há sempre um livro que desaparece.

Avaliação: 4 de 5

Opinião (com spoilers): Um dos meus livros preferidos. Uma narrativa incrível e única, um excelente desenvolver de personagens e, embora a história ande constantemente para trás e para a frente, tudo faz sentido no final e não há perguntas que fiquem no ar.

Falemos então das personagens. Existem diversas personagens neste livro, mas as principais são Liesel, Rosa e Hans Hubermann (os pais adotivos de Liesel), Max (o judeu) e Rudy (o melhor amigo de Liesel que insiste em roubar-lhe um beijo).

Liesel é uma criança no início do livro que passa por diversos infortúnios, desde ver o seu irmão morrer ao seu lado, a ser abandonada pela sua mãe e nunca mais ter contacto com ela. Apesar de tudo isso, é uma menina que acaba por ter os seus momentos de felicidade com a sua nova família. É uma menina de garra. Tem um enorme desenvolvimento do longo do livros, senti-mo-la crescer com o passar dos capítulos. Faz as suas traquinices apesar de ser demasiado crescida para a sua idade. É uma personagem impossível de não se gostar.

Passemos ao seu melhor amigo, Rudy. Rudy é um corredor nato. É o típico alemão...apenas que sonha ser Jesse Owens...que é negro. Um sonho que acaba por causa algumas situações caricatas, dignas de uma boa risada. É uma personagem divertida mas por quem sentimos empatia. É alguém que vemos crescer juntamente com Liesel.

Já Max é o judeu que se esconde na cave e trás momentos de aflição para a família mas que acaba por ser, no meu ponto de vista, a personagem mais importante para a vida de Liesel, pois apenas ele sobrevive juntamente com ela sendo, por isso, a única família que lhe resta. Com a história de Max ficamos a conhecer o passado de Hans, pois foram companheiros de guerra no passado. Max é uma personagem que não cresce, por assim dizer, mas que tem um papel fundamental para história. Não é uma personagem cómica, mas é uma personagem por quem criamos compaixão e que vamos querer que corra tudo bem com ele no final.

Os pais adotivos de Liesel, Hans e Rosa Hubermann, sempre estiveram dispostos a ajudar Liesel e a fazê-la feliz. Rosa é das minhas personagens preferidas, juntamente com Rudy. A sua máscara fria que usa perante Liesel acaba por torná-la uma personagem cómica mas, apesar da forma como trata a filha adotiva, sabemos que a ama apesar de tudo. Hans é quem ensina Liesel a ler e incentiva-a a escrever. É uma personagem de quem gostamos desde a sua primeira aparência no livro: é amável e gentil e está sempre disposto a ajudar os outros. Descobrimos muito sobre o seu passado e os seus medos graças a Max.

Todas as personagens estão interligadas e todas contribuem para a vontade de roubar livros que a pequena Liesel sente.

A narrativa está incrivelmente bem escrita. Embora não seja uma história contada com uma sequência certa, é um texto de fácil leitura e que nos agarra desde a primeira página. A omnipresença da Morte e a forma como a história é contada são únicas, tendo sempre o que quê de comédia e o seu quê de seriedade, tristeza e dor. No fundo, é um livro bem equilibrado no que toca a emoções. É um livro com um enorme desenvolvimento de personagens, todas elas crescem com o desenrolar da história e todas elas têm um papel fundamental na vida da personagem principal, Liesel. Retrata um pouco como era a vida na Alemanha na época da Segunda Guerra Mundial, mas não é um retrato maçador, como se fosse um livro de história. Faz referência a Hitler, à juventude Hitleriana e ao sofrimento dos judeus, mas de uma forma suave e interessante.


Resumindo, é um livro que aconselho vivamente. Apesar de ter perto de 500 páginas, é uma história interessante, capaz de agarrar os leitores desde o primeiro momento e que nos faz sentir as emoções das personagens e faz-nos sentir como se estivéssemos a viver as situações juntamente com elas.

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