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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

The Murder Complex, de Lindsay Cummings


Título: The Murder Complex 
Autor: Lindsay Cummings 
Género: Ficção, Distupiano

Língua em que foi lido: Inglês 
Ano de lançamento: 2014 
Editora, edição, ISBN, capa: Greenwillow, 1ª edição, 978-0-06-222000-4, capa rija 
Páginas: 398 

Resumo do livro (sem spoilers): Num mundo em que a taxa de assassinatos é superior à taxa de natalidade vive Meadow, uma jovem de 15 anos, que foi treinada desde sempre pelo seu pai para poder sobreviver. Quando Meadow se apaixona por Zephyr, um jovem programado pelo governo para assassinar, coloca em prática tudo o que o pai lhe ensinou e começa a descobrir mais do que devia acerca do passado da sua família e da realidade por detrás do mundo em que vivem. 

Avaliação: 3.5/ 5 

Opinião (com spoilers): The Murder Complex é o livro de estreia da jovem escritora Lindsay Cummings. É um livro bastante aclamado nos Estados Unidos como sendo grotesco e repleto de acção. 
Na verdade, não achei que o livro corresponde-se às expectativas que tinha sobre ele após ver tantas críticas como sendo um excelente livro distupiano. Demorei cerca de dois meses para conseguir acabar o livro (o que não é normal para mim pois devoro um livro em, no máximo, duas semanas). Contemplei por várias vezes desistir de o ler, mas embora não estivesse a gostar do livro, não gosto de deixar livros a meio. 

A história é contada de duas perspectivas diferentes: a de Zephyr e a de Meadow, sendo que cada capítulo é contado através da perspectiva de cada um. No início do livro é uma perspectiva interessante pois ficamos a conhecer melhor as personagens e a maneira como cada um pensa e o que estão a sentir. No entanto, com o decorrer da história, chega a uma altura que fica um pouco confuso, sendo que tive várias vezes de voltar ao início do capítulo para rectificar qual a personagem que estava a narrar.  
Existe um bom desenvolvimento das personagens, sendo que conseguimos ficar a conhecer o que cada um sente e qual o passado de ambos. No entanto, senti que o amor entre Meadow e Zephyr começou de forma demasiado forçada, como de amor à primeira vista, amor instantâneo, o que achei não favorecer a história. 

Houveram vários pontos interessantes no livro, como todo o desenvolvimento e conhecimento do que é, na verdade, o The Murder Complex e qual o impacto que tem na vida de ambos Meadow e a sua família e na vida de Zephyr e tudo o que ele achava ser verdade. Descobrimos o que se passou na realidade com a mãe de Meadow e o porquê da ligação entre ela e Zephyr. 
Igual ao amor entre as duas personagens principais, achei a ideia d'a Resistência e da sua ligação com Meadow demasiado forçada e instantânea. Achei haver pouco desenvolvimento para a interligação entre os mesmos. 

Comecei a ficar mais intrigada e a querer saber o que acontecia na história já quase no final da mesma, quando todo o desenvolvimento começou a acontecer e tudo começou a fazer sentido.  

Para livro de estreia, é um livro com bastante potencial mas que poderia, certamente, ter uns ajustes para criar ligações mais fortes e realistas entre as personagens. De certa forma, acredito que não me consegui ligar às personagens como faço com outros livros devido a essas ligações forçadas e quase instantâneas, e, por conseguinte, isso fez-me perder algum interesse na continuação da leitura do livro. Porém, a história em si é interessante, embora veja algumas influências de outras obras, fiquei intrigada com o final do livro e irei ler o segundo, The Death Code, que ainda não foi publicado.  

Relativamente a ser aclamada como um livro grotesco, não achei que assim o fosse. Existem meia dúzia de ações mais violentas e gráficas, mas nada de extremos que seja capaz de dar a volta ao estômago. 

No geral, é um livro com potencial e aconselho a quem goste do género. Não adorei o livro, mas também não desgostei por completo. Acho que só poderei formular uma opinião completa após a conclusão da saga.

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domingo, 31 de agosto de 2014

Incarceron, de Catherine Fisher

Título: Incarceron
Autor: Catherine Fisher
Género: Fantasia; Juvenil

Língua em que foi lido: Português
Ano de lançamento: 2007
Editora, edição, ISBN, capa: Porto Editora, 1ª, 978-972-0-04372-6, mole
Páginas: 336

Resumo do livro (sem spoilers): Uma prisão com vida própria e sempre vigilante dos seus reclusos; uma prisão tão grande que nela existem bosques e mares. É nesta prisão que decorre a história de Finn, que garante não ter nascido na prisão mas não tem memórias do seu passado, e o seu irmão de juramento, Keiro, quando decidem tentar escapar da mesma. Mas dizem ser um feito praticamente impossível pois apenas um homem no passado conseguiu fugir desta imensa prisão.
Fora da prisão é contada a história de Cláudia que vive num mundo futuristico semelhante ao século XVII, onde todo o avanço tecnológico é proibido. Cláudia irá ter que casar para garantir os interesses de seu pai, mas ao descobrir como entrar no escritório do seu pai, o seu mundo sofre uma reviravolta.

Avaliação: 3.5 de 5

Opinião (sem spoilers): Um excelente livro de fantasia, com excelente desenvolvimento de personagens e com uma história interessante, embora um tanto previsível.

As primeiras páginas do livro são um pouco confusas, demorei algum tempo até começar a compreender onde estava e o que se estava a passar. Apesar da escrita simples deste livro, conseguimos ter uma excelente noção do espaço que rodeia a acção pois as suas descrições conseguem ir até aos mais pequenos pormenores e conseguimos entender como é o espaço que nos rodeia. Achei as primeiras páginas um tanto aborrecidas, sendo que a partir de por volta das 77 páginas que a história começou a ficar mais interessante, com um desenvolvimento mais rápido.

É uma história cativante que nos consegue agarrar e querer saber o que irá acontecer a seguir. No entanto, é um pouco previsível no que toca ao envolvimento que irá existir entre Cláudia e Finn e, desde o momento em que o nome de Giles é anunciado, conseguimos perceber quem ele é de facto.

Todas as personagens têm um excelente desenvolvimento, todas elas vão crescendo e demonstrando a sua verdadeira essência com o passar da história.

O que peca, a meu ver, na história, é que por vezes é um pouco confusa no que toca às falas das personagens (quem está a dizer o quê quando envolve mais de duas personagens), a falta de descrição para alguns acontecimentos, como por exemplo, o que é o Protocolo (que só é revelado perto do final do livro, fazendo com que nas vezes anteriores em que é mencionado não dê para compreender ao certo o que é).
No final do livro ficamos com vontade de saber o que irá acontecer a seguir e queremos ler o segundo livro, A Lenda de Sapphique.

No geral, é um excelente livro, que embora seja bastante previsível, vale a pena a sua leitura.


O segundo livro da saga chama-se A Lenda de Sapphique. Ainda não o li, embora já o tenha. Assim que o faça, farei uma revisão do mesmo e a comparação com este primeiro livro.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

A Rapariga Que Roubava Livros, de Markus Zusak



Título: A Rapariga Que Roubava Livros
Autor: Markus Zusak
Género: Romance

Língua em que foi lido: Português
Ano de lançamento: 2005
Editora, edição, ISBN, capa: EDITORIAL PRESENÇA, 15ª, 978-972-23-3907-0, capa mole
Páginas: 463

Resumo do livro (sem spoilers): A história passa-se em Molching, uma localidade perto de Munique, Alemanha, na época de 1939, durante a Segunda Guerra Mundial. Retrata a história da pequena Liesel, uma menina que desde muito cedo passa pelas mais difíceis advertências.
Este livro é narrado pela Morte que observa Liesel desde o primeiro contacto que a menina teve com a partida dos seus entes queridos. A menina é adotada por uma nova família e aí o seu pai adotivo, Hans, ensina-a a ler e a escrever, ao que ela desenvolve uma enorme paixão por livros. A sua mãe adotiva, Rosa, é resmungona e desde cedo faz Liesel trabalhar para ajudar em casa. No meio de tudo isto, Liesel conhece o meu melhor amigo, Rudy, com quem passa a vida a implicar.
Enquanto decorria uma caça aos judeus naquela altura, um antigo amigo de guerra de Hans, que acontece ser judeu, procura refugio na casa da família. É a partir daí que Liesel e Max se tornam grandes amigos, partilhando o gosto pela leitura. E no meio de tudo isto, há sempre um livro que desaparece.

Avaliação: 4 de 5

Opinião (com spoilers): Um dos meus livros preferidos. Uma narrativa incrível e única, um excelente desenvolver de personagens e, embora a história ande constantemente para trás e para a frente, tudo faz sentido no final e não há perguntas que fiquem no ar.

Falemos então das personagens. Existem diversas personagens neste livro, mas as principais são Liesel, Rosa e Hans Hubermann (os pais adotivos de Liesel), Max (o judeu) e Rudy (o melhor amigo de Liesel que insiste em roubar-lhe um beijo).

Liesel é uma criança no início do livro que passa por diversos infortúnios, desde ver o seu irmão morrer ao seu lado, a ser abandonada pela sua mãe e nunca mais ter contacto com ela. Apesar de tudo isso, é uma menina que acaba por ter os seus momentos de felicidade com a sua nova família. É uma menina de garra. Tem um enorme desenvolvimento do longo do livros, senti-mo-la crescer com o passar dos capítulos. Faz as suas traquinices apesar de ser demasiado crescida para a sua idade. É uma personagem impossível de não se gostar.

Passemos ao seu melhor amigo, Rudy. Rudy é um corredor nato. É o típico alemão...apenas que sonha ser Jesse Owens...que é negro. Um sonho que acaba por causa algumas situações caricatas, dignas de uma boa risada. É uma personagem divertida mas por quem sentimos empatia. É alguém que vemos crescer juntamente com Liesel.

Já Max é o judeu que se esconde na cave e trás momentos de aflição para a família mas que acaba por ser, no meu ponto de vista, a personagem mais importante para a vida de Liesel, pois apenas ele sobrevive juntamente com ela sendo, por isso, a única família que lhe resta. Com a história de Max ficamos a conhecer o passado de Hans, pois foram companheiros de guerra no passado. Max é uma personagem que não cresce, por assim dizer, mas que tem um papel fundamental para história. Não é uma personagem cómica, mas é uma personagem por quem criamos compaixão e que vamos querer que corra tudo bem com ele no final.

Os pais adotivos de Liesel, Hans e Rosa Hubermann, sempre estiveram dispostos a ajudar Liesel e a fazê-la feliz. Rosa é das minhas personagens preferidas, juntamente com Rudy. A sua máscara fria que usa perante Liesel acaba por torná-la uma personagem cómica mas, apesar da forma como trata a filha adotiva, sabemos que a ama apesar de tudo. Hans é quem ensina Liesel a ler e incentiva-a a escrever. É uma personagem de quem gostamos desde a sua primeira aparência no livro: é amável e gentil e está sempre disposto a ajudar os outros. Descobrimos muito sobre o seu passado e os seus medos graças a Max.

Todas as personagens estão interligadas e todas contribuem para a vontade de roubar livros que a pequena Liesel sente.

A narrativa está incrivelmente bem escrita. Embora não seja uma história contada com uma sequência certa, é um texto de fácil leitura e que nos agarra desde a primeira página. A omnipresença da Morte e a forma como a história é contada são únicas, tendo sempre o que quê de comédia e o seu quê de seriedade, tristeza e dor. No fundo, é um livro bem equilibrado no que toca a emoções. É um livro com um enorme desenvolvimento de personagens, todas elas crescem com o desenrolar da história e todas elas têm um papel fundamental na vida da personagem principal, Liesel. Retrata um pouco como era a vida na Alemanha na época da Segunda Guerra Mundial, mas não é um retrato maçador, como se fosse um livro de história. Faz referência a Hitler, à juventude Hitleriana e ao sofrimento dos judeus, mas de uma forma suave e interessante.


Resumindo, é um livro que aconselho vivamente. Apesar de ter perto de 500 páginas, é uma história interessante, capaz de agarrar os leitores desde o primeiro momento e que nos faz sentir as emoções das personagens e faz-nos sentir como se estivéssemos a viver as situações juntamente com elas.